Metodologia
Qualquer app consegue devolver um número. O que decide se esse número vale alguma coisa é o que foi feito antes de ele aparecer na tela. Esta página descreve as regras que o iQTrail segue para calibrar suas previsões — e as que ele segue para não se enganar sozinho.
O modelo é calibrado com resultados oficiais de provas reais de trail running, em diferentes países, altitudes, perfis de terreno e regimes de clima — de provas técnicas de montanha a ultras de terreno misto, de largadas sob calor extremo a percursos de inverno severo.
Nada vem de simulação, de tempo estimado por participante ou de média de aplicativo de treino. Se a prova não publicou o resultado, ela não entra.
Cada atleta da base é classificado por nível de evidência. O nível determina para que aquele dado pode ser usado — e essa separação é rígida.
Atleta com índice de desempenho público e auditável em base internacional de referência (ITRA, UTMB Index), consultável de fora por qualquer pessoa.
calibra o modeloTempo oficial confirmado, mas sem índice público que permita situar o atleta em uma escala internacional.
testa o modelo, não o calibraTempos e percepções que você digita no app para receber sua previsão.
nunca entra no modeloÉ fácil fazer um modelo parecer bom. Estas são as regras que impedem o iQTrail de fazer isso consigo mesmo.
Calibração e verificação usam conjuntos separados. Erro medido em prova que o modelo já conhecia não conta como acerto.
Usar o índice atualizado depois do resultado seria prever o passado. A referência é sempre a foto anterior à largada.
Abandono e corte de tempo são registrados à parte, não descartados. Ignorar quem ficou pelo caminho é a forma mais silenciosa de inflar um resultado.
Ajustes de fórmula e de fatores entram em um registro de decisões que só cresce: nenhuma entrada é reescrita ou apagada. Dá para reconstruir por que o modelo é o que é hoje.
O iQTrail acompanha duas medidas em cada rodada de validação: o erro típico — quanto erra o atleta do meio da distribuição — e o erro médio percentual, mais sensível aos casos extremos.
As duas andam sempre juntas: nenhum material do iQTrail cita uma sem a outra. Escolher só a mais favorável é a forma mais comum de maquiar validação — é a diferença entre dizer como o modelo se comporta e dizer qual foi o melhor dia dele.
Os valores da rodada atual não estão nesta página. Quando são apresentados, é sempre em conjunto — nunca uma medida isolada.
O Score responde a uma pergunta simples — onde eu estou hoje? — sem exigir que você tenha corrido uma prova específica para descobrir.
O ponto de partida é o seu desempenho em corrida de rua. Rua é o terreno mais comparável que existe entre corredores: superfície uniforme, distância aferida, resultado repetível. Trail não tem essa propriedade — o mesmo tempo em duas provas diferentes pode representar desempenhos muito distintos, porque terreno, altimetria e clima mudam tudo.
Por isso o Score parte dos seus tempos de rua, extrai deles uma medida única de ritmo sustentável e traduz essa medida para a escala de desempenho em trail. A conversão não é tabela genérica nem regra de bolso: ela foi ajustada sobre uma base de atletas de Nível A que têm, ao mesmo tempo, tempo de rua conhecido e índice internacional público verificável. São eles que ancoram as duas pontas da escala.
O Score também não é a média das suas respostas no app. É a ancoragem nessa base que faz o número significar a mesma coisa para você e para outra pessoa.
O que o Score é: uma posição em uma escala calibrada. O que ele não é: uma nota, um ranking oficial ou um substituto de índice federativo.
Limite declarado vale mais que promessa. Hoje, a previsão do iQTrail é de tempo total de prova: o app não entrega estimativa de passagem por posto ou por trecho.
Desempenhos de ponta de elite ficam fora da faixa em que o modelo foi calibrado. Ali a previsão passa a ser extrapolação, e deve ser lida como tal.
O modelo incorpora as condições típicas da prova — terreno e clima —, e a validação cobre tanto cenários de calor extremo quanto de frio severo. O que ele não faz é reagir à previsão do tempo do dia específico nem a imprevistos de percurso: mudança de traçado, trecho cancelado, condição fora do padrão histórico daquela prova.
Por fim: previsão não é plano de prova. Ela é um ponto de partida para a sua estratégia, não uma meta a ser perseguida.
Os erros medidos, o tamanho da base e os coeficientes do modelo não estão aqui de propósito. Metodologia é o que se explica em público; calibração é o ativo técnico do iQTrail, e permanece fechada.
Quando o contexto justifica — uma prova avaliando o uso do modelo com seus inscritos, uma parceria técnica em discussão —, parte da evidência de validação pode ser apresentada dentro daquela conversa, no recorte que o caso pedir. Não é material de download, não é automático, e não inclui fórmula, coeficientes ou a base de calibração.
Se for o seu caso, escreva contando o contexto.
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